Vereador que não se desincompatibiliza de cargo de procurador municipal comete improbidade? STJ diz sim.

Índice de Conteúdos
O que diz a decisão do STJ?
A 2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou entendimento de que o vereador que não se desincompatibiliza do cargo de procurador municipal comete ato de improbidade administrativa. A decisão, unânime, considerou que a acumulação indevida causa dano ao erário e vantagem indevida ao agente público.
O caso concreto envolvia um vereador que, mesmo após eleito, continuou atuando como procurador do município, recebendo salários e benefícios de ambos os cargos. Para o relator, ministro Herman Benjamin, a situação configura clara violação aos princípios da administração pública.
Por que isso é importante?
Imagine que você é contratado para ser o síndico do seu prédio e, ao mesmo tempo, vira presidente da associação de moradores. As funções podem conflitar, e você pode usar uma posição para beneficiar a outra. Algo similar ocorre quando um vereador, que fiscaliza o Executivo, também é procurador do mesmo município – há um claro conflito de interesses.
A decisão do STJ cria um precedente importante para a interpretação das incompatibilidades entre cargos públicos. Agora, tribunais de todo o Brasil podem usar esse entendimento para julgar casos semelhantes.
O que configura improbidade administrativa?
Segundo a Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92), são atos de improbidade aqueles que importam em enriquecimento ilícito, dano ao erário ou violação aos princípios da administração pública. No caso, o STJ entendeu que a acumulação indevida de cargos se enquadra nas duas últimas categorias.
O ministro Herman Benjamin destacou que o vereador, ao não se desincompatibilizar, obteve vantagem patrimonial indevida (salário duplo) e causou dano ao erário (pagamento por serviço que não deveria ser prestado).
E agora? O que os vereadores devem fazer?
Se você é vereador e também ocupa outro cargo público, é essencial verificar se há incompatibilidade. A regra geral é que o vereador pode acumular cargos, desde que haja compatibilidade de horários e funções. Mas, quando o outro cargo é no mesmo município e envolve funções de fiscalização ou assessoramento direto ao Executivo, a incompatibilidade é presumida.
A recomendação é: ao se candidatar, peça licença do cargo anterior ou renuncie antes da posse. Depois de eleito, a desincompatibilização deve ocorrer em até 10 dias da diplomação, conforme a legislação eleitoral.
FAQ
O que é improbidade administrativa?
É um ato ilegal praticado por agente público que causa dano ao erário, enriquecimento ilícito ou viola princípios da administração pública, como moralidade e legalidade.
Vereador pode ser procurador municipal?
Em regra, não. A acumulação é vedada quando há conflito de interesses, como no caso de procurador que assessora o Executivo e vereador que fiscaliza o mesmo Executivo.
Quais as consequências para o vereador?
Pode perder o cargo, ter os direitos políticos suspensos, pagar multa e ressarcir o dano causado ao erário.

Comitê Editorial NakedPact
Artigo criado pela redação da NakedPact. Nossa missão é analisar, simplificar e expor cláusulas abusivas e riscos ocultos em contratos cotidianos para proteger cidadãos e consumidores.
Fontes e Referências Jurídicas

Você é proprietário de um site?
Quer comunicar aos seus utilizadores a sua transparência no tratamento de dados? Utilize dinamicamente o nosso selo e mostre a conformidade da sua plataforma.
Leituras Recomendadas
🛡️ Proteja seus direitos com um clique
Não corra o risco de assinar cláusulas abusivas. Instale a extensão gratuita do NakedPact para Chrome ou Firefox e analise instantaneamente qualquer contrato na web.
Não confie, verifique.
Agora que conhece os riscos, não assine às cegas. Carregue o seu contrato no NakedPact e deixe a IA encontrar as cláusulas ocultas. É 100% gratuito.
Analise o seu Contrato Agora