Atenção à cláusula ‘Take or Pay’ nos contratos de fornecimento: como não pagar por serviços nunca recebidos
Já assinou um contrato de fornecimento sem ler as cláusulas ocultas?
Imagine que ativou uma assinatura de fibra ótica ou de fornecimento de gás. Depois de um mês, muda-se, mas o fornecedor exige que continue a pagar as prestações mensais até ao fim do contrato. Parece-lhe justo? Infelizmente, é exatamente o que a cláusula ‘Take or Pay’ permite.
O que é a cláusula ‘Take or Pay’?
‘Take or Pay’ significa literalmente ‘pegue ou pague’. Na prática, o contrato obriga-o a pagar um valor fixo independentemente de usar ou não o serviço. É uma cláusula típica em contratos business-to-business, mas cada vez mais a encontramos também em contratos para consumidores, disfarçada de ‘taxa fixa mensal’ ou ‘mínimo garantido’.
Por que é uma armadilha para os consumidores?
Esta cláusula retira-lhe toda a flexibilidade. Se perder o emprego, se mudar ou simplesmente deixar de precisar do serviço, continua obrigado a pagar. O problema é que, na maioria dos casos, não é destacada de forma clara: encontra-se no final do contrato, escrita em letras pequenas ou escondida entre definições técnicas.
Um exemplo concreto
O Marco assinou um contrato de dois anos para fornecimento de eletricidade a tarifa fixa. Após seis meses, mudou-se para outra cidade. O fornecedor exigiu-lhe o pagamento de todas as prestações restantes (18 meses) porque o contrato incluía uma cláusula ‘Take or Pay’ não destacada. O Marco descobriu que tinha assinado um compromisso que o obrigava a pagar mesmo sem consumir mais energia.
O que diz a lei portuguesa?
O Decreto-Lei n.º 24/2014, de 14 de fevereiro, que estabelece o regime jurídico aplicável aos contratos celebrados com consumidores, protege os consumidores contra cláusulas abusivas. O artigo 12.º, n.º 1, alínea a) estabelece que são abusivas as cláusulas que limitem o direito de resolução do consumidor. Além disso, o artigo 5.º exige que as cláusulas sejam redigidas de forma clara e compreensível. Se a cláusula ‘Take or Pay’ não foi devidamente destacada ou é desproporcional, pode contestá-la.
Como se defender?
- Leia sempre o contrato na íntegra antes de assinar. Procure palavras como ‘taxa mínima’, ‘compromisso de consumo’, ‘penalidade por rescisão antecipada’.
- Solicite uma cópia do contrato em formato digital e carregue-a no NakedPact para uma verificação automática das cláusulas.
- Conteste a cláusula por escrito no prazo de 30 dias após a assinatura, se não lhe foi explicada claramente.
- Recorra a uma associação de defesa do consumidor ou a um advogado especializado em direito do consumo.
O papel da NakedPact
Com a NakedPact, pode carregar o contrato suspeito e receber uma análise imediata das cláusulas potencialmente abusivas. O nosso sistema compara o texto com a legislação em vigor e sinaliza os pontos críticos. Nunca assine às cegas: use a NakedPact para ter a certeza do que está a aceitar.
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Checklist: a cláusula ‘Take or Pay’ no seu contrato
- O contrato contém a expressão ‘Take or Pay’ ou sinónimos (ex.: ‘compromisso de consumo’, ‘mínimo garantido’)?
- A cláusula está escrita em caracteres claros e bem visíveis (não escondida no final)?
- O fornecedor explicou-lhe verbalmente ou por escrito a obrigação de pagamento mesmo em caso de não utilização?
- Assinou o contrato há menos de 30 dias? (Se sim, pode rescindir sem penalidades por direito de arrependimento)
- O valor da penalidade ou da taxa fixa é desproporcional em relação ao valor do serviço?
Se assinalou pelo menos duas caixas, carregue já o contrato no NakedPact para uma verificação aprofundada.
Aprofundamento: por que a cláusula ‘Take or Pay’ é tão insidiosa?
A cláusula ‘Take or Pay’ surgiu em contratos comerciais entre grandes empresas, para garantir aos fornecedores um fluxo de caixa estável. Nos últimos anos, foi introduzida em contratos de consumo, especialmente nos setores de energia, telecomunicações e assinaturas de serviços digitais. O problema é que muitas vezes é camuflada com termos técnicos como ‘taxa de disponibilidade’ ou ‘quota fixa não reembolsável’. O consumidor médio não se apercebe de que aceitou uma obrigação de pagamento perpétuo, mesmo em caso de rescisão antecipada.
Do ponto de vista legal, a jurisprudência portuguesa é dividida. Por um lado, o Supremo Tribunal de Justiça estabeleceu que as cláusulas que limitam a rescisão são nulas se não forem especificamente aprovadas por escrito (Ac. STJ n.º 14828/2017). Por outro lado, muitos tribunais de primeira instância consideraram válidas as cláusulas ‘Take or Pay’ se equilibradas por um desconto na tarifa. O problema é que muitas vezes o desconto é mínimo e a penalidade desproporcional.
Outro aspeto crítico é a transparência informativa. O fornecedor deveria explicar ao consumidor, antes da assinatura, a existência da cláusula e as suas consequências. Em muitos casos, porém, a cláusula é inserida num contrato padrão e o consumidor só a descobre quando quer rescindir. Este comportamento pode configurar uma prática comercial desleal nos termos do Decreto-Lei n.º 57/2008 (que transpõe a Diretiva das Práticas Comerciais Desleais).
Por fim, há a questão da proporcionalidade. Uma cláusula ‘Take or Pay’ que impõe o pagamento da totalidade do valor residual (por exemplo, 18 meses de 24) sem qualquer redução pelos custos poupados pelo fornecedor é considerada abusiva. O consumidor pode solicitar a nulidade parcial da cláusula e o reembolso dos montantes indevidamente pagos.
Com o NakedPact, pode carregar o contrato e obter um relatório detalhado que evidencia a presença de cláusulas abusivas, incluindo as ‘Take or Pay’. Não espere ficar preso: aja já.

Comitê Editorial NakedPact
Artigo criado pela redação da NakedPact. Nossa missão é analisar, simplificar e expor cláusulas abusivas e riscos ocultos em contratos cotidianos para proteger cidadãos e consumidores.
Fontes e Referências Jurídicas
- •Lei de Defesa do Consumidor (Lei n.º 24/96) de Portugal
- •Decreto-Lei n.º 446/85 (Cláusulas contratuais gerais abusivas)
- •Lei n.º 47/2014 (Direitos dos consumidores nas vendas à distância)
Não confie, verifique.
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