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Perdeu o trator? STJ decide que má-fé não é necessária para apreensão em crime ambiental

Comitê Editorial NakedPact
Reviewer: Carmelo G.
Comitato Editoriale NakedPact
26 de julho de 2026
10 min de leitura
Perdeu o trator? STJ decide que má-fé não é necessária para apreensão em crime ambiental

A decisão do STJ e seus impactos

A apreensão de maquinário em crime ambiental exige má-fé do proprietário? Não, segundo o STJ. Com base no artigo 25 da Lei 9.605/1998, o bem pode ser confiscado independentemente de o dono saber do crime. Isso aumenta a responsabilidade de empresas e proprietários que emprestam ou alugam equipamentos para terceiros.

O que mudou com o julgamento?

Até então, muitos entendiam que a apreensão dependia de comprovar que o dono sabia ou deveria saber do uso ilegal. O STJ deixou claro: a lei não exige essa comprovação. Basta que o maquinário tenha sido usado para cometer o crime ambiental, mesmo sem consentimento ou conhecimento do proprietário.

É como receber uma multa de estacionamento porque seu carro foi usado por um amigo sem sua permissão. Você pode não ter culpa, mas o bem é o instrumento da infração. Só que, no caso ambiental, as consequências são bem mais sérias: você pode perder o equipamento para sempre.

Impacto prático para empresas e proprietários

Se você é dono de tratores, escavadeiras, caminhões ou qualquer maquinário que possa ser usado em desmatamento, mineração ilegal ou poluição, o risco é real. O simples fato de emprestar ou alugar o equipamento pode resultar em perda, mesmo que você tenha agido de boa-fé.

Por isso, é essencial adotar medidas preventivas: verifique a idoneidade do locatário, exija contratos claros e monitore o uso do maquinário. Mas lembre-se: a decisão do STJ não exige que o proprietário tenha concorrido para o crime. A apreensão pode ocorrer mesmo com todas as precauções.

O que diz a lei?

O artigo 25 da Lei 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais) estabelece que, verificada a infração, serão apreendidos seus produtos e instrumentos. O STJ interpretou que essa apreensão não está condicionada à boa ou má-fé do proprietário. A ideia é desestimular o uso de bens em atividades ilícitas, priorizando a proteção ambiental.

Para mais detalhes, consulte o texto da lei no site oficial do Planalto.

Como se proteger?

Não há garantia absoluta, mas algumas ações reduzem riscos:

  • Documente a origem e o destino de cada equipamento.
  • Exija garantias contratuais de que o maquinário não será usado em crimes.
  • Mantenha registros de manutenção e rastreamento (GPS, por exemplo).
  • Consulte um advogado especializado em direito ambiental antes de alugar ou emprestar bens de alto valor.

Lembre-se: a decisão do STJ não é isolada. Ela se alinha à tendência de responsabilização objetiva em matéria ambiental, onde o poluidor é obrigado a reparar o dano independentemente de culpa.

FAQ

Posso perder meu equipamento se alguém o usar sem minha autorização para cometer crime ambiental?

Sim, de acordo com o STJ. A apreensão independe de má-fé do proprietário, bastando que o maquinário tenha sido utilizado no crime. A única exceção possível é se o proprietário comprovar que tomou todas as medidas razoáveis para evitar o uso ilícito, mas ainda assim não há garantia.

O que fazer se meu maquinário for apreendido?

Procure imediatamente um advogado. É possível contestar a apreensão na via judicial, argumentando falta de proporcionalidade ou ausência de uso direto no crime. No entanto, a tendência é que a justiça mantenha a apreensão com base na nova jurisprudência.

Essa decisão vale para todo o Brasil?

Sim, por ser do STJ (Superior Tribunal de Justiça), a decisão tem efeito vinculante para todos os tribunais inferiores, salvo se houver recurso ao STF. Portanto, serve como orientação para todo o país.

Responsabilidade objetiva x subjetiva

AspectoAntes da decisãoDepois da decisão
Exigência de má-fé?Muitos tribunais exigiamNão é mais exigida
Ônus da provaMinistério Público provava má-féProprietário deve provar boa-fé?
Segurança jurídicaVariável conforme tribunalUniformizada pelo STJ

Checklist de prevenção

  • Contratos com cláusulas de uso lícito
  • Verificação de antecedentes do locatário
  • Rastreamento por GPS e monitoramento
  • Seguro específico para apreensão?
  • Assessoria jurídica preventiva
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